França vai suspender importação de frutas do Mercosul com agrotóxicos proibidos na Europa

O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu, que apresentou sua renúncia ao presidente francês esta manhã, faz uma declaração no Hotel Matignon em Paris, em 6 de outubro de 2025.
Reuters/Stephane Mahe/Pool
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou no domingo (4) que a França vai proibir a importação de frutas da América do Sul que contenha resíduos de cinco agrotóxicos proibidos na Europa: mancozeb, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim.
No anúncio, feito em seu perfil no X, Lecornu disse que uma ordem sobre o tema será emitida nos próximos dias pela ministra da Agricultura, Annie Genevard.
“Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs da América do Sul ou de outros lugares não serão mais permitidos no território nacional”, disse o primeiro-ministro francês.
“Uma brigada especializada realizará verificações reforçadas para garantir o cumprimento das nossas normas sanitárias”, acrescentou.
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“Um primeiro passo para proteger nossas cadeias de suprimentos e nossos consumidores, e para combater a concorrência desleal, uma verdadeira questão de justiça e equidade para nossos agricultores”.
O g1 entrou em contato com o Ministério da Agricultura brasileiro para entender se a medida pode impactar o país e aguarda um posicionamento.
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O anúncio do primeiro-ministro francês ocorre em meio ao adiamento do acordo entre União Europeia e Mercosul, que estava programado para o último mês de dezembro. A França, pressionada pelos agricultores do país, se opõe ao pacto nas condições atuais.
ENTENDA: Por que o acordo é alvo de tanta disputa no agro
O acordo comercial busca reduzir ou eliminar tarifas de importação e exportação entre os dois blocos (UE e Mercosul). Ele havia sido fechado em dezembro de 2024 entre a Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. .
No entanto, a pressão da França, apoiada nos últimos dias pela Itália, forçou o adiamento da assinatura para janeiro deste ano.
Mesmo assim, os produtores franceses continuaram protestando contra o governo e a União Europeia. Eles afirmam que o tratado prejudica setores agrícolas da Europa, principalmente os de carne bovina, aves, açúcar e soja.
No dia 19 de dezembro, dezenas de agricultores franceses despejaram esterco e outros resíduos em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron, em uma manifestação que incluiu a oposição ao acordo e outras reivindicações.
Na ocasião, um caixão com a frase “Não ao Mercosul” foi colocado em frente à mansão de tijolos vermelhos do presidente e de sua esposa, Brigitte Macron, na cidade litorânea de Le Touquet, no norte da França.
Um dia antes, agricultores franceses e de outros países protestaram em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, na Bélgica, enquanto os líderes dos 27 países realizavam a última cúpula de 2025.
Manifestantes queimaram pneus e atiraram batatas e objetos na polícia, que reprimiu o protesto.