Após propor reajuste a policiais, Guedes critica pedidos de aumento salarial de servidores públicos

Em balanço de 2020 e 2021, ministro da Economia lembrou que regra que proíbe reajuste ao setor público na pandemia termina no fim do ano. Bolsonaro tem prometido aumento em discursos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou nesta sexta-feira (17) os pedidos de aumentos salariais que vêm sendo feitos por servidores públicos de estados, municípios e outras “categorias” – não explicitadas por ele.
A fala acontece um dia após o próprio Ministério da Economia enviar ofício ao Congresso pedindo a inclusão de um reajuste salarial para policiais no projeto do Orçamento de 2022. O documento credita a decisão ao presidente Jair Bolsonaro e diz que as mudanças nas carreiras devem respeitar o teto de gastos e a responsabilidade fiscal.
“Mal nos levantamos e está cheio de estados, municípios e categorias pedindo aumento de salário de novo, como se fosse dizendo o seguinte: ‘eu só queria a vacina, quando deram a vacina, beleza, dá meu dinheiro de volta, eu quero repor'”, disse o ministro nesta sexta.
Veja detalhes do reajuste proposto para carreiras policiais federais pelo Ministério da Economia:
Gasto extra de R$ 2,8 bilhões: Guedes pede ao Congresso reajuste para policiais em 2022
Segundo Paulo Guedes, os pedidos de reajuste seriam uma desonra aos demais trabalhadores nesse momento em que o país ainda enfrenta a pandemia de Covid. Se todos os servidores tiverem reajuste salarial, diz o ministro, a medida também representaria uma “desonra” com as futuras gerações.
“Aí inflação vai voltar, nós vamos mergulhar no passado, vamos nos endividar em bola de neve, juros vão continuar altos, inflação não terá tido alta temporária, será permanente e o Brasil vai mergulhar em um passado conhecido e tenebroso. Nosso papel é assegurar que isso não aconteça”, afirmou Guedes.
Paulo Guedes lembrou que termina no fim deste ano o prazo para que servidores públicos federais, estaduais e municipais não tenham reajuste.
Essa medida foi acertada já durante a pandemia da Covid, como contrapartida para a União firmar um acordo de ajuda a estados e municípios com transferência de mais de R$ 70 bilhões.
Reajustes já previstos
O Ministério da Economia informou, em ofício enviado ao Congresso Nacional, que o gasto extra será de R$ 2,8 bilhões no ano que vem com a reestruturação de carreiras da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
Com o acréscimo, o gasto público com os servidores dessas carreiras totaliza R$ 5,1 bilhões no ano que vem. Desse valor, R$ 4,5 bilhões impactam o resultado primário do governo.
As carreiras de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias também devem ter seus salários reajustados no próximo ano. Deputados e senadores votaram nesta sexta (17), em sessão do Congresso Nacional, pela derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro ao tema.
O veto de Bolsonaro retirava da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022 o reajuste ao piso dos agentes de saúde. Com a derrubada, a medida fica mantida na peça orçamentária para o ano que vem.
Promessa de Bolsonaro