Dólar opera em alta nesta terça, com IPCA-15 e aguardando o Fed

Na véspera, a moeda norte-americana caiu 1,00%, vendida a R$ 4,7326, no menor nível desde maio de 2022. Cédulas de dólar
Alexander Mils/Pexels
O dólar opera em alta nesta terça-feira, à espera da decisão de juros do Federal Reserve (Fed) amanhã e repercutindo resultados da prévia da inflação do Brasil, divulgada hoje.
Às 11h, a moeda norte-americana subia 0,42%, cotada a R$ 4,7527. Veja mais cotações.
Na sexta-feira, o dólar teve queda de 1%, cotada a R$ 4,7326, no menor patamar desde maio de 2022. Com o resultado, a moeda passou a acumular quedas de:
1,18% no mês;
10,33% no ano.
No mercado acionário, o Ibovespa subiu 0,94% e fechou aos 121 mil pontos, no maior nível desde abril de 2022.

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Principal indicador do dia, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) — considerado a prévia da inflação oficial do país — teve queda de 0,07% para o mês de julho, informou nesta terça-feira (25) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com os resultados, o IPCA-15 acumulou 3,19% na janela de 12 meses.
Entre os destaques de queda, o item que trouxe principal impacto negativo para indicador foi a redução dos preços de energia elétrica residencial (-3,45%), vindo do grupo de Habitação (-0,94%). Mas também teve resultado importante para a deflação no mês vindo do grupo de Alimentação e bebidas (-0,40%), que foi puxado para baixo com resultados benignos do subgrupo de alimentação no domicílio (-0,72%).
O resultado de hoje apontou um cenário favorável para ‘segunda parte’ do processo desinflacionário, segundo análise do próprio BC, que trata de itens mais resilientes (núcleos) e mais associados aos ciclos econômicos, ou seja, à própria condução da política monetária.
“A prévia da inflação de julho indica uma desaceleração da inflação de serviços, com queda na difusão setorial e surpresas baixistas relativamente disseminadas nas várias medidas de núcleo que a autoridade monetária apura. Além de incitar mais uma rodada baixista nas previsões (expectativas) de inflação de curto prazo”, prossegue o analista.
O boletim Focus havia sido adiado para esta terça-feira. Os economistas do mercado financeiro reduziram novamente a estimativa de inflação deste ano, de 4,95% para 4,90%. Para 2024, a projeção de inflação do mercado financeiro caiu de 3,92% para 3,90%.
Para o crescimento do PIB deste ano, a projeção do mercado financeiro permaneceu estável em 2,24% na última semana. Já para 2024, a previsão de crescimento do mercado financeiro continuou em 1,30%.
Além disso, manteve a expectativa para a taxa básica de juros da economia, a Selic, estável em 12% ao ano para o fim de 2023. Para o fim de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia permaneceu em 9,5% ao ano.
No exterior, o grande evento da semana para o mercado financeiro é a decisão de política monetária do Federal Reserve, quando será definido o novo patamar de juros dos EUA. A expectativa do mercado é que a autarquia faça um novo aumento da taxa básica norte-americana de 0,25 ponto percentual.
Apesar de ter feito uma pausa na subida de juros em sua última reunião, a autarquia já havia sinalizado que novas altas seriam necessárias para controlar a inflação norte-americana, que arrefeceu, mas permanece acima da meta de 2%. Nesta reunião, os olhos estarão focados em acompanhar a sinalização para as próximas decisões.
A depender de como vier a decisão do Fed, isso pode trazer força para a moeda americana. A maior aposta continua sendo de uma alta de 0,25 p.p., mas o mercado ainda está em dúvida sobre a possibilidade de 0,5 p.p. e qual vai ser a sinalização no comunicado.